A espiral das revoluções



Considerando a natureza multifatorial das revoluções e o perfil multifacetário do homem é de se esperar que as revoluções todas sejam um composto de transformações que ocorrem sinergicamente. A revolução industrial que teve sua maior expressão no setor de produção mudou todo estilo de vida da Europa Ocidental no século XVIII. Por outro lado, é inconsistente  asseverar que a mudança começou no setor da indústria, pois se pegarmos a ponta do novelo vamos cair na (des) estrutura do feudalismo (XIV e XV) que   Johan Huizinga classificou de período de Outono da Idade Média, portanto possível nascedouro da primeira  revolução industrial. Se nos pautarmos neste pressuposto não será  tarefa muito árdua deduzir que se puxarmos a espiral das revoluções vamos entender o básico: a economia reflete nas relações políticas que, por sua vez,produzem efeitos nas relações sociais cujos  desdobramentos influenciam política e economia.  Criar alternâncias tomadas pelo princípio da proximidade que  orientam as três instâncias dentro das revoluções nos levará ao abismo de formulações infindas. Impensável conjecturar onde começam as revoluções: se na sociedade, na economia ou na política. 
Para entender simbolicamente estes aspectos que determinam influências, confluências e aproximações entre os elementos da tríade ordenadora no curso das revoluções vou resgatar o mito de Oroboros, aquele que mostra a serpente que engole a própria cauda, cuja  leitura  elementar é de um lado o ciclo interminável das coisas e de outro os ciclos que se encerram para que outros comecem sem se perderem, porque  recuperados em um movimento denominado “eterno retorno”. Disto inevitavelmente emerge a máxima lavoisieriana do “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Basta-nos substituir a palavra natureza pelas palavras “social, econômico, político e revolução” e teremos o princípio dos meus argumento. Aqui também se aplica a entropia, que é a Primeira Lei da Termodinâmica que determina, basicamente, que "a energia se conserva". Isso quer dizer, que nos processos físicos a energia não se perde, ela se converte de um tipo em outro."
Acredito que já tenham   inferido que usei uma lente  grande angular para percorrer os processos  que impelem as  inovações. Só assim pude ter  alguma chance de  capturar o cenário em toda sua extensão e  estabelecer interfaces entre seus movimentos e objetos fundadores  sem precisar  empregar a profundidade que compete  aos especialistas com  seus recortes especificados  em estudos pontuais.  
Uma boa demonstração do reflexo do social no econômico é o fato da população estritamente agrícola vinda das regiões pobres e de agricultura decadente, ter sido o  grande ensejo da Revolução Industrialatravés da oferta demão-de-obra barata.Entramos na espiral do paradoxo: esta mesma população que enseja  a indústria artesanal rural é extinta no final do século XVIII pela  manufatura capitalista  que ela  fortaleceu. Em seguida, os artesãos sem habilidades para atuar na indústria sucumbe no curso das mudanças técnicas. Quem encontrará espaço são os chamados profissionais híbridos, que corresponde aqueles que adaptaram suas práticas artesãs ao ambiente da indústria.  Karl Marx, motivado por este contingente de desemprego em massa, apresentou em sua “crítica da economia política” conceitos intrínseco são que ele cunhou de “Exército industrial de reserva”. Basicamente corresponde ao desemprego estrutural das economias capitalistas, conforme as teorias marxistas.
A quarta revolução industrial promete trazer impasses semelhantes ao campo dos empregos. Pelo menos é o que prevê os grandes pensadores sociais e econômicos.  Entretanto, conforme estou tentando tecer,  não necessariamente é um problema que pode ser classificado de  contemporâneo. Experimentamos este problema de adaptação na primeira  revolução industrial e vamos experimentá-los em todas as outras que vierem daqui por diante.Os desdobramentos positivos e negativos da  Terceira Revolução denominada tecnocientífica é uma prova clara disto.   Os positivos saltam aos  olhos diariamente. Aliás, os positivos será assegurados pelos grandes avanços que a quarta revolução promete. Quanto aos negativos, podemos citar os vários cargos que foram sendo substituídos, levando ao desaparecimento de inúmeros profissionais dentre eles os ascensoristas, os datilógrafos, os operadores de telefonia e outras. E não foram apenas as profissões mais modestas que foram aniquiladas, também caíram nas malhas da inaplicabilidade algumas que exigiam alto desempenho técnico e conhecimentos mais elevados, como é o caso dos navegadores, e dos engenheiros de voo nas tripulações das aeronaves. Portanto, não precisa destrinchar minudências para compreender que todo avanço tecnológico invariavelmente moverá o homem de uma condição a outra  propondo substituições de hábitos simples,  operações complexas e na forma como dirige sua vida. 

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