Conjecturas sobre moda e estilo
Mulheres e homens de todo mundo tendem confundir moda com estilo. A Moda é aquilo que está sendo oferecido,usado pela maioria em algum momento específico do tempo. Portanto ela é passageira e opera de dentro para fora,enquanto o estilo é algo intrínseco, é parte de você e da sua real essência de ser. A nossa subjetividade é inarredável de nós, pois é ela que determina nossas posturas dentro do mundo e seu campo de exploração é vasto. Dura enquanto existirmos. Quem segue a moda, cai nas armadilhas da efemeridade e está basicamente interessado em ser notado na superficialidade e não apreendido conforme sua real e profunda natureza. A moda é para quem quer ser visto e o desenvolvimento do estilo é para quem quer se ver tal qual como é. Você compra e veste as mesmas peças de vestuário oferecidas nas lojas, representadas em revistas e mostradas na passarela, mas é preciso compreender que estas fontes de moda partem de algum padrão externo que pode não ser condizente com o teu. É óbvio que influências existem e elas podem ser bem aproveitadas em prol do seu estilo. Estes argumentos não tendem proclamar a aniquilação da moda, mas a descoberta do seu estilo que pode ser ou não favorecido por modismos. Pode ser cansativo e estéril ter que acompanhar as ofertas a cada temporada, sair em busca de novidades. Enquanto o estilo é atemporal e obedece apenas as demandas internas que embora dinâmicas são sólidas em sua forma de existir.
O estilo, por outro lado, é único e muito pessoal. Não tem nada a ver com moda. Pelo contrário, é uma indicação da sua persona. A moda acaba rapidamente, enquanto o estilo é para sempre.
Seu estilo pode ter relações com sua cultura pessoal, com suas ideologias, com a forma que quer ver a si mesma no espelho, com conforto e outros requisitos. Ao explorar seu próprio estilo, você adquire a capacidade inata de ser carismático atraente e confiante.
Ao cultivar o seu estilo você se torna seu próprio estilista, você cria sua marca própria e pode explorá-la de diversas maneiras com uma boa dose de criatividade. Você exala influência nos ambientes reais e virtuais que frequente, mesmo que essa não seja sua intenção. O estilo está relacionado com questões que muita gente desconhece: pessoas começam a confiar mais em você e as palavras que você disser terão mais credibilidade, porque você é o epítome vivo da elegância de ser você mesmo. Suas palavras, ações, maneirismos e confiança se tornam visíveis e as pessoas não conseguem deixar de nota-los. Por que a sua roupa te revela. Ela não é apenas um tecido que cobre um corpo. Por debaixo dela existe um ser humano com suas peculiaridades, experiências, crenças, maneira de lidar e enxergar o mundo.
Seu estilo que consagra seu jeito de vestir e a imagem que comunica por intermédio deles estão essencialmente ligados com seu sucesso na vida pessoal e profissional, pois eles transmitem quem você é de verdade.Além disso, seus relacionamentos, ou a falta deles, estão intrinsecamente ligados ao seu estilo e à maneira como você decide se mostrar para o mundo. E é do estilo que nasce a maneira de se vestir. Ele é a fonte inconteste do seu vestuário. Sem autoconhecimento, autoestima e uma identidade própria e bem definida é impossível descobrir o estilo, pois a pessoa se torna refém do que o mundo oferece. Em outras palavras é um repetidor de modismos e não apenas no que toca o vestuário, mas também em atitudes e formas de pensar.
Estilo é o relacionamento que você tem com o seu interno, seu senso de si mesmo, sua identidade, com apercepção de quem você é. O processo de correspondência entre meu estilo e quem sou reflete ou expressa no que estou vestindo. Minhas roupas precisam 'combinar' com o senso de quem somos.
A Moda, ao contrário, é o relacionamento com o externo: você se preocupa com o que as pessoas da novela estão usando, qual a última palavra nas passarelas, o que as lojas querem te oferecer sem ter conhecimentos e todas essas ofertas condizem com sua identidade. Nesse caso é um processo de correspondência entre o que está fora e o que estou vestindo.
A moda nos distrai de nós mesmos enquanto o estilo nos conecta. Se seguirmos essa definição, é fácil ver que há uma enorme diferença na orientação de nosso foco sobre o que é moda e o que é estilo. A moda tira nossa atenção de nós mesmos, o estilo traz nossa atenção diretamente para quem somos.
Você ou as roupas?
Esse questionamento também reconhece onde a ênfase deve ser colocada. Na moda, as roupas são enfatizadas. Os itens considerados são os da moda enquanto o estilo está na pessoa. A moda esmaga o estilo pelas demandas.
Sendo assim, a moda pode te distanciar de si mesma e o estilo é uma maneira de estreitar seu relacionamento consigo, pois o foco e a orientação estão no EU e em como é informado e expresso pelas escolhas de roupas.
Trata-se realmente, verdadeiramente de conhecer a si mesmo, amar a si mesmo - não apenas modificar, cobrir falhas etc. -, mas amar a si mesmo exatamente do jeito que é agorae vestir-se para honrar isso.
A moda tem a capacidade de destruir nossa autoestima e confiança, porque, por sua própria natureza, assume uma lacuna entre quem quer que sejamos e nossa real identidade física e essencial. Quer dizer que existem padrões na moda que são discrepantes de quem você é e isto pode causar um tipo de auto repulsa que afeta sua autoestima.
“Talvez seja hora de mudar de marcha na pista rápida da moda ”, frase da socióloga Dra. Ruth Quibell.
A Dra. Quibell propõe que o ritmo da moda é tão rápido agora que acompanhar é quase impossível (citando mega cadeias como a Zara, cujo estoque gira duas vezes por semana - descartando completamente a tradicional mudança "sazonal" nas vitrines).
A Dra. Quibell sugere que podemos desejar
“fortalecemos nosso eu social, nosso caráter, em vez de simplesmente deixar nossos uniformes falarem. Para fazer isso, podemos evitar a moda por um tempo - experimentar o estilo, e não o que é "agora".
O estilo também tem uma natureza dinâmica, mas seu dinamismo tem a ver com a expressão de quem você é e seu senso de si. Trata-se de honrar sua singularidade e ter suas partes externas equivalentes com seu eu verdadeiro.

Comentários
Postar um comentário