Liberalismo
A revolução industrial começou na Grã-Bretanha, que é vista por leigos e especialistas como a "oficina do mundo" que deu largada na era das indústrias.
Os motivos que propiciaram o grande feito à Inglaterra, podemos citar primordialmente as excelentes condições para o desenvolvimento econômico. Dentre estas, um sistema político estável, colônias ricas em recursos, proximidade com o mar e outras atribuições que rendeu-lhe o privilégio de ser a "potência mundial" da época. Além disso, tinham as alianças, força de trabalho e uma política econômica tenazmente ajustada às demandas do mercado. Também a rede de transporte bem desenvolvida somada à sociedade aberta ofereceram condições suficientes para a reestruturação.
Além disto, por volta de 1700 ocorreu na Europa uma explosão populacional, melhoria nos cuidados médicos, diminuição das crises de abastecimento agrícola e as novas leis de propriedade dentre outros fenômenos que desembocaram na revolução agrária.
Todos os membros da sociedade estavam sendo chamados para o progresso na agricultura, na sociedade, na mineração e no comércio.
As máquinas, fábricas, ferrovias, mudança no setor de trabalho, distribuição de bens e o boom das invenções convergiam para uma mudança significativa no pensamento econômico e foi o que ocorreu quando Adam Smith entrou em cena como uma peça final do quebra-cabeça para introduzir as ideias sobre economia de livre mercado.
Os pensadores do iluminismo defendiam a supremacia da razão, a iniciativa e o valor individual que são os princípios que orientam o liberalismo clássico.
Foi justamente debaixo desta atmosfera que surgiu a Escola Fisiocrática compreendida nos dias atuais como a primeira escola de economia científica. Os fisiocratas franceses entendem o sistema econômico de forma orgânica, cujo funcionamento é governado por leis inerentes ou em conformidade com a ordem natural das coisas. Visto deste modo, a economia era cientificamente relevante como qualquer outra frente de estudo. A priori pautavam-se na economia agrária, representada pela terra, sua única fonte de riqueza.
O contraste entre agricultura capitalista e agricultura camponesa era a matéria prima das análises críticas dos fisiocratas, que creditavam à agricultura camponesa o posto de economia fadada ao fracasso. Visão semelhante não nutriam pelos arrendatários capitalistas que alcançavam maiores índices de produção.
É justamente no ventre desta escola composta por pensadores franceses que faziam apologia ao progresso é que o liberalismo é gestado.
Foram os fisiocratas que promoveram o conceito de economia "Laissez faire, laissez passer" (deixe fazer, deixe passar), pois acreditavam que a busca do interesse próprio em assuntos econômicos era mais benéfica para a sociedade do que a regulamentação governamental. Assim sendo, a Economia Laissez-Faire refere-se à uma redução do envolvimento do governo e critica a economia predominantemente mercantilista, cujo objetivo é fortalecer o poder e a riqueza do estado para elevar a necessidade da regulamentação governamental.
A Laissez-faire defende que os indivíduos devem ter liberdade para tomar suas próprias decisões e que a competitividade entre elas resulta no desenvolvimento da sua própria sociedade.
Adam Smith (1723-1790) foi um economista e político escocês precursor das ideias do liberalismo clássico. Ele acreditava que se as pessoas trabalhassem acima de tudo para si mesmas, todos, incluindo o estado, elas seriam melhores. Smith afirmou de forma consistente no The Wealth of Nations em 1776 que o interesse individual em um livre mercado fortaleceria a economia beneficiando a maioria das pessoas.
Smith esteve algum tempo com os fisiocratas e comungou de diversas crenças do grupo.Ele, a exemplo dos fisiocratas, acreditava que o papel do governo deveria se limitar ao estado de direito.
A economia Laissez-faire foi aplicada por muitos industriais orientados pela obra de Adam Smith. Com base nos preceitos smithinianos os fabricantes adeptos da Laissez-faire defendiam pouca regulamentação na indústria.
Portanto, sinteticamente, o liberalismo clássico é uma ideologia que se baseia nos princípios do individualismo, incluindo o Estado de direito, o exercício dos direitos e liberdades individuais, a propriedade privada, a liberdade econômica, o interesse próprio, a proteção das liberdades civis possibilitando uma economia de livre mercado, cujo escopo é um Estado pouco intervencionista ou com funções minimizadas que comportando-se assim abrirá espaço para a concorrência, incentivando o empreendedorismo e empresas que visam atender as necessidades dos indivíduos e não apenas lucros.
A revolução industrial deu luz a esses princípios através da reforma econômica, política e da reestruturação social.
Além de Smith, os seguintes pensadores do tempo contribuíram para a ideologia do liberalismo: Thomas Hobbes, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Charles de Secondat, John Stuart Mills. Destes cabe citar Mills (1806-1873) que era um filósofo inglês bastante interessado em proteger as ideias que assegurassem a liberdade individual que daria ao indivíduo poder de tomar decisão nas instituições sociais. Mills defendia que as única limitação que deveria ser imposta ao indivíduo era aquela que protegesse os outros. Em outras palavras, as únicas restrições às pessoas devem ser aquelas que evitam danos aos outros. Proverbialmente, refere-se à "a liberdade de cada um começa onde termina o direito do outro".
Curioso observar que à época da revolução industrial, o progresso das tecnologias de transporte provocou uma expansão do comércio global, tendo em vista que tal progresso significava que o comércio internacional tornariam as viagens mais baratas e eficientes. Fazendo um paralelo entre a primeira e a quarta revolução, podemos dizer que os meios de comunicação em termos de interatividade assumem hoje o papel que os navios a vapor tinham na época, que era de facilitar a interação entre nações distantes. Entre um dado e outro, retomamos a ideia da espiral das revoluções.

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