O Instinto Gregário

"Desde os primórdios até hoje em dia o homem ainda  
faz o que o macaco fazia" 
Arnaldo Antunes

O instinto gregário é um impulso biológico que, por assim ser, em força e natureza, escapa do controle racional. Longe de empregar visões fatalistas, embora o instinto componha a parte primitiva do cérebro impedindo, deste modo, que tenhamos sobre ela grandes intervenções racionais.   
Um sem número de estudos revela que desde sua origem o homem já apresentava sinais visíveis relacionada a  sua inclinação biológica de viver em grupo.  O agrupamento sempre representou para a raça humana um dispositivo de sobrevivência, tendo em vista que toda a formação física, temporal e espacial prediz necessidades de acoplamento. 
Se olharmos atentamente os tempos modernos, eles obedecem exatamente os mesmos requisitos da aurora do homem. Os nossos antepassados não possuíam imprescindibilidades tão diferentes daquelas que possuímos.  É correto argumentar que evoluímos, que demos saltos efusivos das cavernas até os escritórios, mas substancialmente os homo habilis, ergaster, erectus,  neanderthalensis sapiens e o  sapiens  flertam de modo eloquente com o homo sapiens sapiens.  Até poderia citar distinções e atravessamentos dos tempos primordiais e modernos, mas demandaria extensa análise comparativa. Conforme anteriormente supracitado,alguns aprofundamentos não se ajustam aos limites impostos ao debate.
Em síntese, a evolução recodificou  preceitos oferecendo-lhes outras vestimentas e também cuidou de criar  uma codificação fundada no atravessamento  da tensão entre passado, presente e futuro  nas instâncias da natureza humana.  Foram estabelecidas novas categorias de ordenação para o caos que orientava a incivilidade dos instintos. Com elas vieram os códigos sociais que determinavam   marcadores e exigências que deveriam  governar a conduta dos homens. Entre estes códigos, o casamento, que configura basicamente como institucionalização da necessidade gregária primitiva. Em outras palavras, a socialização tomou para si um elemento natural a fim de ordená-lo e formalizá-lo conforme seus preceitos éticos, religiosos, econômicos, políticos e morais. Entretanto, apesar destes marcadores que colocaram nossa natureza sob julgo, a potência formadora de todas as relações continua sendo  em primeiro plano o impulso biológico ou o animal disputando  a supremacia com o super homem,  conforme destacava Nietzsche. 
Não obstante, os vínculos não são exatamente prerrogativas da nossa espécie,   a prática de acasalamento é comum aos seres vivos, embora existam distinções no que concerne à finalidade. O próprio ser humano até certa altura do seu desenvolvimento acasalava instintivamente centrado no desígnio da perpetuação que liga-se ao prólogo darwinista  da preservação da espécie.
Todos estes contornos antropológicos e   etimológicos pretendem evoluir para  a noção de que o instinto gregário próprio dos primitivos,  que nos parece distante dos homens 'civilizados', é justamente a força que   levará ao êxito toda e qualquer tentativa de interatividade, conectividade e compartilhamento.










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