Sobre o que é mercado.




Sumariamente mercado é o local onde os agentes econômicos fazem  suas trocas ou vão em busca de produtos ou serviços para suprir suas necessidades. Exposto doutro modo, é a interação entre os agentes econômicos.
Se lançarmos uma luz sobre a história perceberemos que a história do mercado é tão antiga quanto o próprio homem, pois nasce  da disposição inata para a troca de efetivos que nutram carências.  
O escambo compreende a forma mais primitiva de mercado conhecida pelo homem, mas isso foi há milhares de anos quando não se tinha notícia de  moedas de troca e dos produtos que temos atualmente. Neste tempo os indivíduos visavam pura e simplesmente a aquisição de alimentos para  sua sobrevivência. 
Foi por meio da criação de animais e plantação que começaram surgir as primeiras trocas: um queria a carne animal e o outro o produto da colheita. E foi assim que nasceu o mercado, cuja origem é marcada pelo escambo caracterizado pela  troca de mercadorias entre pessoas conforme a  necessidade de cada uma.
Com o tempo o homem descobriu que tal mercadoria valia mais que a outra. Desde então nasceu a atribuição de valor aos produtos.
A wikipedia define mercado desta forma: "Designa-se por mercado o local no qual agentes econômicos procedem à troca de bens por uma unidade monetária ou por outros bens. Os mercados tendem a equilibrar-se pela lei da oferta e da procura.
Existem tanto mercados genéricos como especializados, onde apenas uma mercadoria é trocada. Os mercados funcionam ao agrupar muitos vendedores interessados e ao facilitar que os compradores potenciais os encontrem. Uma economia que depende primariamente das interações entre compradores e vendedores para alocar recursos é conhecida como economia de mercado."
Para  Philip Kotler o conceito de troca leva ao conceito de Mercado. "Um mercado consiste de todos os consumidores potenciais que compartilham de uma necessidade ou desejo específicos, dispostos e habilitados para fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou desejo."
Assim, o tamanho do mercado depende do número de pessoas que mostram a necessidade ou desejo, que têm recursos que interessam a outros e estão dispostos e em condição de oferecer esses recursos em troca do que desejam.”
Beatriz Santos Samara e  Marco Aurélio Morsh  no livro "Comportamento do Consumidor"  conceituam mercado como sendo  “o processo de troca entre o grupo de produtores/vendedores e os consumidores que acontece no ambiente que denominamos de mercado. Esse local de troca, que no passado era geralmente um espaço físico específico e delimitado, como mercado público ou feira, por exemplo, hoje se expandiu e envolve até mesmo o virtual, como o ciberespaço e as compras pela internet. O mercado representa também o conjunto de compradores reais ou potenciais em posição de demandar produtos.”
Passado algum tempo da primeira revolução industrial, evoluímos de   mercado à "sociedade de mercado", uma vez que  o mercado tal qual é hoje nem sempre existiu. Ele  começa com a agricultura e a criação de animais que viabilizaram as trocas inicialmente entre as famílias. 
De outro modo, nem só de produtos vive o mercado. Ele também sobrevive de relações mercadológicas ou de propriedade que podem ocorrer de várias formas: numa comunidade livre de códigos ou leis rígidas  existe um mercado  de transmissão de conhecimento (educação/cultura/costumes). Neste caso, ele não tem como matéria de troca os bens materiais ou para fins de sobrevivência. Outro tipo de permuta imaterial ocorre pelo viés da hierarquia. Este tipo de troca está assentada em status, poder, profissão.  Existe um mercado onde a relação de igualdade entre as partes  configura em racionamento para a distribuição justa. Isto acontece, por exemplo, em países com problemas de água e de luz. Tem o mercado  arbitrário ou recíproco  que implica em doação. Por último, o  que demorou mais tempo para surgir,  o da permuta que envolve mercadoria e moeda. 
Na troca de mercadoria por mercadoria  a pessoa fica à margem do valor das mercadorias. O movimento funciona  como um contrato  independente dos sujeitos envolvidos sem jogo de persuasão. Mas, conforme vimos, isso ocorria em um tempo distante quando era "mercadoria pra lá, mercadoria pra cá e sujeito à margem".
Assim, na atualidade o mercado  envolve os  agentes econômicos nas   transações. Por isto,  pode ser compreendido como uma relação mercadológica envolvendo não apenas agentes interessados em mercadorias, mas também cooptados pelas  atribuições que superam ou se igualam à mercadoria que está em jogo. Hoje a maioria das trocas sempre implica em algum nível de doação, nem que seja puramente argumentativa-persuasiva pelo uso dos mecanismos verbais.  
O  mercantilismo atual  é uma combinação de homens e  coisas. Talvez por esta razão com o tempo desenvolveu-se no coração do mercado  uma espécie de negação das relações humanas que no curso da história foram sendo  reduzidas a relações entre coisas . 
O mercado também se tornou um reino  de equivalência generalizada que homogeneizou as qualidades imateriais  imensuráveis, reduzindo-as ao valor puramente quantitativo. Entretanto, foi só nos últimos séculos que as coisas se apropriaram das pessoas provocando o  mercantilismo  da vida humana que acabou por se tornar uma mercadoria venal.  Se olharmos por esta ótica, constaremos que o mercado está errado em si mesmo, porém, não é tão simples sistematizá-lo em julgamentos, posto que ele não se limita às ideologias e especulações filosóficas. A natureza desumanizadora do mercado também mantém vínculos intensos com o processo civilizatório e com as atribuições antropológicas que independente do mercado nunca se perderão.
É inegável que o mercado  é um fator importante para o desenvolvimento de indivíduos e nações e que  é uma figura universal superior à globalização haja vista que a antecede.  Não há cidade sem mercado. A vila é vila  porque é onde a feira é realizada. Desde o primeiro nível de complexidade, a diversidade, a divisão do trabalho, o mercado tornou-se indispensável. Seria temerário pensar que podemos construir  sociedades superdesenvolvidas sem mercado. Surge, então, a questão do quanto e como ele  pode operar regulando nossas vidas,  servindo de princípio moderador a ponto de integrar e desintegrar estruturas sociais. 




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